Afirmei, num rápido pronunciamento na Câmara dos Deputados, que o presidente Lula inaugurou uma política que aposta na tentativa do consenso para solucionar os conflitos. E o Brasil sai fortalecido como parceiro confiável. Mesmo para os críticos da oposição, como Rubens Ricúpero, este foi um momento único e nobre da diplomacia brasileira.
Mas, como vivemos uma disputa eleitoral, nenhum líder da oposição se atreve a criticar e, mais uma vez, a grande imprensa faz seu trabalho. As manchetes sobre o acordo fazem coro com as grandes potências, que não aceitam um país como o Brasil protagonizando uma política internacional baseada na paz, baseada no desenho de uma nova geografia do poder econômico mundial e de uma política externa calcada na ascensão dos países emergentes e dos blocos regionais. “Quando se observa o jogo arriscado em que a diplomacia brasileira tem se metido, fica visível a política de confronto sistemático aos interesses americanos” alerta o editorial d’ O Globo, que aponta como “artífice” de tal desaforo o “Itamaraty do B”. A Folha de SP não fica atrás e diz que “a visita de Lula ao Irã, que esta Folha viu com profundo ceticismo, não engendrou a solução final para a crise”!!!
Depois, ao invés de chamar a atenção para o susto das grandes potências frente à vitória diplomática do Brasil, a imprensa brasileira louva o rápido “contra-ataque dos EUA” tornando nítido que os interesses que ela defende estão intimamente vinculados ao servilismo da direita brasileira e à bajulação tucana aos norte-americanos.
Ao invés de se alinhar às chantagens militares, como fez FHC no passado, Lula ofereceu um tratamento compatível a um país da importância geopolítica do Irã. Ou seja, ao invés da ameaça, Lula abriu um canal de negociação. E, independente do posicionamento futuro das grandes potências, não há como negar que (1) o Brasil consolida seu protagonismo na agenda política internacional; (2) inaugura-se uma política que aposta no consenso como modo de solução dos conflitos; (3) o Brasil fortalece sua reputação de parceiro confiável, com reflexos tanto políticos como comerciais e (4) abre-se a possibilidade de acordos multilaterais sem o protagonismo das grandes potências.

